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TURQUIA
O país em resumo
Nome oficial: República da Turquia (Türkiye Cumhuriyeti).
Capital: Ancara.
Localização: grande parte no centro-oeste da Ásia e uma pequena parte no leste da Europa.
Nacionalidade: turca.
Área: 790.200 km2.
População: 66,5 milhões (2001).
Densidade: 84,93 hab./km2.
Língua oficial: turco.
Composição étnica: turcos e curdos.
Religião: maioria islâmica.
Governo
Sistema de governo: república parlamentarista.
Presidente: Ahmet Necdet Sezer (desde 2000).
Primeiro-ministro: Abdullah Gul (desde 2002).
Legislativo: unicameral. Grande Assembleia Nacional Turca, com 550 membros eleitos por voto direto para um mandato de cinco anos.
Principais partidos: Partido da Ação Nacionalista (MHP), Partido da Esquerda Democrática (DSP) e Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AK).
Economia
PIB: 147,6 bilhões de dólares (2001).
Agropecuária: algodão, trigo, cevada, batata,
beterraba, frutas, milho, nozes, tabaco e gados caprino e ovino.
Indústria: alimentos e bebidas processados, têxteis, ferro e aço, fertilizantes, maquinaria, metais e veículos
automotores.
Exportação: algodão, tabaco, cereais, nozes, azeite, cromita, têxteis e metais.
Moeda: lira turca.
Mapa

País localizado no Oriente Próximo. Seu território estende-se por dois continentes, a Ásia e a Europa (apenas 3%). A capital Ancara fica na parte asiática, uma península grande e montanhosa chamada Anatólia. O estreito de Bósforo separa a parte europeia da asiática, dividindo também Istambul, a maior cidade do país.

A agricultura é um importante setor da economia turca. As lavouras mais produtivas ficam nas regiões costeiras, que têm solo fértil e clima ameno. No entanto, desde meados da década de 1940, a economia do país tem-se tornado cada vez mais dependente da indústria. Outra atividade importante é o turismo. A Turquia possui belezas naturais e monumentos históricos, tombados como patrimônio da humanidade, que resultam da conservação de seu passado grego, bizantino e otomano.

A Turquia é o país mais ocidentalizado do mundo islâmico. Seu ingresso na União Europeia foi adiado diversas vezes devido à rejeição de sua candidatura em virtude das violações dos direitos humanos, da perseguição à minoria curda e da disputa com a Grécia pela ilha de Chipre.

Pastores tocam ovelhas em Diyarbakir, no leste da Turquia onde a maioria da população é curda.

HISTÓRIA

Em cerca de 2000 a.C., os hititas começaram a migrar para o centro da Anatólia. Nos séculos seguintes, conquistaram partes da Mesopotâmia e da Síria e tornaram-se os principais governantes do Oriente Médio, por volta de 1500 a.C.

Em seguida, a Anatólia foi conquistada pelos frígios, pelos lídios e por outros povos. Os gregos fundaram diversas cidades-Estado na costa do Mar Egeu. Em meados de 500 a.C., o Império Persa assumiu o controle da Anatólia e da Trácia. Depois de passar pelo domínio macedônio, o general romano Pompeu conquistou a região em 63 a.C.

Em 330 d.C., o imperador romano Constantino, o Grande, transferiu a capital de Roma para a antiga cidade de Bizâncio, na Trácia, que foi rebatizada de Constantinopla. Em 395, o Império Romano dividiu-se em dois: o Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, que abrangia a Anatólia e a Trácia, e o Império Romano do Ocidente. Os bárbaros conquistaram a parte ocidental por volta do séc. V, mas o Império Bizantino floresceu.

Os Turcos Seldjuques, muçulmanos, invadiram a Anatólia no séc. XI e, em 1001, destruíram grande parte do poder bizantino na região. O Cristianismo e o idioma grego foram gradativamente substituídos, na Anatólia, pelo Islamismo e pelo idioma turco.

Em 1095, cristãos europeus organizaram as Cruzadas, para expulsar os turcos da Terra Santa. Na Primeira Cruzada, as tropas cristãs derrotaram os turcos seldjuques no oeste da Anatólia. Em seguida, porém, os cruzados deixaram a península para lutar na Palestina. O Império Seldjuque resistiu até 1243, quando foi invadido pelos mongóis.

Império Otomano. O Império Mongol foi atingido por lutas internas e logo se dividiu. No séc. XIV, os turco-otomanos começaram a construir um poderoso império. Em fins do séc. XIV, eles haviam conquistado o oeste da Anatólia, a maior parte da Trácia e grande parte da península dos Bálcãs, inclusive a Grécia.

Em 1453, as forças otomanas conquistaram Constantinopla, pondo fim ao Império Bizantino. Os turcos deram à cidade o nome de Istambul e fizeram dela sua capital. Em 1481, seu império ia do rio Danúbio, na Europa, até o sul da Anatólia. Entre 1481 e 1512, o Império tornou-se a maior potência naval da região do Mediterrâneo. As forças otomanas conquistaram a Síria (1516), o Egito (1517) e grande parte da Hungria (1526). A ilha de Chipre, conquistada em 1571, ficou sob domínio turco-otomano até 1878, quando o controle político foi transferido para o Reino Unido.

Em 1774, os turcos perderam uma guerra contra a Rússia e foram obrigados a permitir a passagem de navios russos pelos estreitos de Bósforo e Dardanelos. Eles também perderam a Criméia para a Rússia, em 1783. O Império Otomano continuou declinando no séc. XIX. Em 1829, a Grécia tornou-se independente. Os turcos também perderam outros territórios nos Bálcãs, na Argélia, na Tunísia e no Egito.

Os líderes otomanos reorganizaram o sistema militar e aprimoraram o sistema educacional. Em 1876, foi adotada a primeira Constituição da Turquia. No entanto, o sultão Abdul Hamid II, que subiu ao trono naquele ano, abandonou a Constituição e governou como ditador.

A Bulgária declarou sua independência do Império em 1908. No mesmo ano, o grupo Jovens Turcos liderou uma revolta armada e obrigou o sultão a restaurar o governo constitucional. Abdul Hamid foi afastado do trono em 1909, e os Jovens Turcos passaram a governar o Império sob o comando de Mehmet V.

O Império continuou a desmoronar, perdendo o controle da Bósnia, da Líbia e de Creta. Em 1914, o Império Otomano mantinha na Europa apenas a Trácia.

Nesse mesmo ano, o Império Otomano entrou na Primeira Guerra Mundial ao lado da Alemanha e da Áustria-Hungria, numa tentativa de reconquistar os territórios perdidos. Entretanto, eles foram derrotados em 1918.

Fim do Império. Depois da guerra, os Aliados decidiram dividir o Império Otomano. Mustafá Kemal, um herói militar turco, organizou rapidamente um governo nacionalista. Em 1920, Kemal foi eleito presidente da Grande Assembleia Nacional Turca.

Em agosto, o governo do sultão assinou o Tratado de Sèvres com os Aliados, garantindo a independência a algumas partes do Império e distribuindo as demais entre as potências Aliadas. A Turquia foi reduzida a Istambul e a uma parte da Anatólia. A popularidade do sultão diminuiu ainda mais, enquanto o poder de Kemal e dos nacionalistas aumentava.

Em 1922, a Grande Assembleia Nacional aboliu o cargo de sultão e os Aliados concordaram em elaborar um novo tratado de paz. O Tratado de Lausanne (1923) estabeleceu as fronteiras da Turquia nas proximidades de sua localização atual.

República. A Assembleia proclamou a República da Turquia em 1923 e elegeu Kemal presidente. O governo aboliu algumas tradições islâmicas, como o sistema legal, o alfabeto arábico e a poligamia. As mulheres conquistaram o direito de votar e de exercer cargos públicos. Kemal recebeu o codinome de Atatürk (Pai dos Turcos).

Em 1945, durante o governo de Ismet Inonu, a Turquia filiou-se à Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1950, o Partido Democrata, de oposição, conquistou a maioria na Grande Assembleia Nacional. Celal Bayar tornou-se presidente; Adnan Menderes, primeiro-ministro.

Em 1960, unidades do Exército assumiram o controle do país e criaram um governo provisório. Em 1961, foi adotada uma nova Constituição. O governo provisório, então, realizou eleições nacionais livres. O general Cemal Gürsel foi escolhido para presidente, e Inonu, para primeiro-ministro – ambos eram do Partido Popular Republicano (CHP). Em 1965, o líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AK), Süleyman Demirel, tornou-se primeiro-ministro. O presidente Gürsel adoeceu e foi substituído, em 1966, por Cevdet Sunay.

Os altos impostos, a inflação e os distúrbios políticos perturbaram o governo em fins dos anos de 1960. Os grupos políticos radicais promoveram atentados numa tentativa de derrubar Demirel. Na década de 1970, ele e Bülent Ecevit (CHP) sucederam um ao outro no governo.

No plano externo, em 1964 e 1967, houve lutas em Chipre entre a minoria turca e a maioria grega. Turquia e Grécia ameaçaram intervir antes que se estabelecessem acordos de paz. Em 1974, oficiais gregos derrubaram o presidente de Chipre, Makários III. A Turquia reagiu, ocupando o norte de Chipre e estabelecendo um Estado autônomo, presidido por Rauf Denktash. Em 1983, a Turquia apoiou a criação da República Turca do Norte do Chipre (RTNC).

A Instabilidade Política gerada por uma crise econômica criou o ambiente para mais um golpe militar, em 1980. Os militares organizaram novas eleições em 1983, mas continuaram monitorando o governo civil até 1985. Nesse período, os curdos passaram a exigir sua independência e criaram o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), responsável por vários atentados na Turquia e no exterior.

Em 1993, com a morte de Turgut Ozal, presidente desde 1983, o país entrou em um novo período de instabilidade. O primeiro-ministro Demirel assumiu a Presidência, e Tansu Ciller o substituiu como primeira-ministra. Em 1995, formou-se uma coalizão entre o Partido Caminho Verdadeiro (DYP) e o Partido da Mãe Pátria (Anap), numa tentativa de impedir que os radicais islâmicos chegassem ao poder.

O governo de coalizão enfraqueceu-se e foi destituído pelo Parlamento. Ciller aliou-se, então, ao Partido do Bem-Estar (RP), e Necmettin Erbakan, líder islâmico, tornou-se primeiro-ministro. O governo islâmico durou pouco devido à ameaça de golpe militar. Erbakan entregou o cargo, e Mesut Yilmaz (Anap) assumiu como primeiro-ministro em 1997.

Em 1998, os muçulmanos radicais ganharam força e passaram a promover atentados que criaram um clima de insegurança no país. O RP foi declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional da Turquia, e Erbakan teve seus direitos políticos suspensos por cinco anos, sob a acusação de deixar a religião interferir nas decisões do Estado.

Em 1999, um comando turco sequestrou Abdullah Ocalan, líder do PKK, no Quênia, levando-o para a Turquia, onde passou a aguardar julgamento. Em junho, um tribunal militar turco o condenou à morte por traição e separatismo, gerando uma onda de protestos curdos na Turquia e em outros países europeus. No mês seguinte, a situação no país acalmou-se depois que o PKK anunciou que respeitaria a trégua que havia sido declarada em 1998.

História Recente. Em 1998, a Grécia ofereceu apoio ao ingresso da Turquia na União Europeia (UE) em troca da reunificação de Chipre, mas as negociações não prosperaram.

O Partido da Esquerda Democrática (DSP) venceu as eleições em 1999, e Bülent Ecevit tornou-se primeiro-ministro. Em agosto do mesmo ano, um terremoto devastador atingiu a área mais populosa do país e a região onde se concentram as mais importantes indústrias turcas, causando graves problemas econômicos. Sob protestos da população, foi criado um pacote de impostos com o objetivo de arrecadar fundos para reconstruir as áreas atingidas.

Em 2000, Ahmet Necdet Sezer, independente e favorável à ideia de um Estado laico (onde há separação entre os dogmas religiosos e o governo leigo regulamentado), foi eleito presidente. Em 2001, o país foi acometido por nova crise econômica. O governo recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestou 17,5 bilhões de dólares, em troca da reestruturação do sistema bancário, da aceleração do programa de privatizações e do corte de gastos públicos.

Diante de um grave quadro de crise econômica, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AK) conquistou 361 das 550 vagas disputadas nas eleições legislativas de 2002, refletindo o descontentamento dos turcos com os partidos tradicionais. Abdullah Gul foi apontado como o novo primeiro-ministro.

ARTES

Em Istambul, encontra-se a catedral de Hagia Sofia, construída no séc. VI, um exemplo clássico da arquitetura bizantina. Mesquitas turcas foram erguidas em toda a Anatólia no séc. XIII. Muitas das belas edificações do país foram construídas quando o Império Otomano estava em seu apogeu. Koca Sinan é considerado o maior arquiteto do país.

Durante centenas de anos, os artesãos turcos fizeram vistosos pratos, vasos e outros objetos de cerâmica. São famosos também por seus tapetes com desenhos ricamente elaborados.

Grande parte da literatura tradicional turca é escrita em turco-otomano. Em algumas obras modernas, os escritores incluem histórias dos antigos teatros de marionetes sobre o legendário boneco chamado Karagöz (Olhos Negros).